O ano de 2009 foi um dos piores para a economia de que consigo me lembrar. A confiança desceu despenhadeiro abaixo. Medo e trevas pareciam dominar o mundo das finanças. Agora, no início de 2010, os primeiros sinais de confiança estão voltando. China, Brasil, Índia e Austrália estão crescendo novamente, e os mercados de ações mundiais mostram sinais consistentes de recuperação.
Às vezes sou acusado de ser otimista demais. O entusiasmo natural do empreendedor sempre traz à tona o melhor de mim! Mas na Virgin temos de fato observado alguns desses sinais positivos. As pessoas estão reservando passagens de avião e de trem com maior antecedência, pensando nas férias de verão. Elas estão trocando o pacote de TV a cabo por outro com mais opções. Nosso negócio no segmento de academia de ginástica está crescendo no mundo todo.
Então, o que eu acho que vai acontecer neste ano e quais são as oportunidades para o empreendedor que está começando?
Sinto frustrar quem está em busca de uma fórmula ou de uma resposta fácil, porque isso não existe. Nos negócios, nada substitui a experiência de realmente gerir uma empresa. Em toda a minha carreira tomei decisões com base no instinto, mas isso não me eximiu de trabalhar duro para que elas funcionassem. No entanto, olhando agora para trás, vejo que há certos padrões que se repetem.
Em primeiro lugar, você tem de se cercar de gente de confiança e de talento. Montar uma empresa exige muito trabalho e energia. É mais fácil assumir compromissos de peso quando temos à nossa volta pessoas de quem gostamos e em quem confiamos. Uma coisa que faço o tempo todo é manter sempre satisfeitos os excelentes presidentes e diretores das minhas empresas.
Em seguida, você precisa garantir que sua empresa ou sua ideia tenha um lugar no mercado, além de um produto ou serviço diferenciado o bastante para sempre atrair mais clientes. Na Virgin, seguimos à risca uma lista de coisas muito simples. Nossas empresas devem ser inovadoras, manter a qualidade, o custo-benefício e o bom humor.
O timing é igualmente importante. Se eu pudesse começar tudo de novo, criaria mais empresas durante os períodos de recessão, em que quase tudo custa de 50% a 90% menos do que nos tempos de prosperidade. Em geral, há muita gente extremamente bem preparada no mercado e na concorrência, cuja atenção está voltada para o interior das organizações, para suas operações e dificuldades. Esse é o clima perfeito para que empresas jovens, entusiasmadas e ágeis se diferenciem e prosperem. Estamos atravessando um momento desse tipo atualmente.